
A cirurgia ajuda a preservar a função testicular e reduzir complicações; o tratamento precoce favorece melhores condições para a saúde reprodutiva
A criptorquidia bilateral é uma condição caracterizada pela ausência dos dois testículos na bolsa escrotal. O processo natural de descida do abdômen durante a gestação é interrompido. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a disfunção é rara, se comparada a unilateral, representando de 10% a 25% dos casos.
Embora não cause dor imediata ao recém-nascido, a permanência dos órgãos fora do escroto expõe os tecidos a temperaturas elevadas que prejudicam o desenvolvimento celular. O que aumenta expressivamente os riscos de infertilidade futura, complicações como hérnias e o surgimento de tumores testiculares.
Para corrigir esse desvio anatômico e preservar a saúde reprodutiva da criança, a intervenção cirúrgica de escolha é a orquidopexia bilateral. O Hospital Águas Claras conta com estrutura e equipe especializada para realizar a avaliação da criança, acompanhar o diagnóstico e, quando indicado, conduzir o tratamento cirúrgico.
Ele está localizado na Rua Arariba, 5 e tem funcionamento 24 horas.
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Qual a diferença entre criptorquidia bilateral e orquidopexia bilateral?
A criptorquidia bilateral é um termo que diz respeito ao diagnóstico clínico da criança. Já a orquidopexia bilateral refere-se à intervenção cirúrgica, o tratamento da criptorquidia. Veja a seguir mais detalhes sobre cada um dos termos.
Criptorquidia bilateral
A criptorquidia bilateral é o diagnóstico clínico. O termo tem origem no grego, onde "kriptos" significa escondido e "orkhis" significa testículo. A condição ocorre quando ambos os testículos do bebê não completam a descida do abdômen para a bolsa escrotal durante a gestação.
A palavra "bilateral" indica que o quadro atinge os dois lados. Durante a fase fetal, os testículos começam a se formar dentro da cavidade abdominal. Na reta final da gravidez, eles migram pelo canal inguinal até se acomodarem no escroto.
Em alguns recém-nascidos, sobretudo os prematuros, essa descida sofre interrupções. Os órgãos podem ficar retidos no abdômen, na virilha ou na entrada superior da bolsa escrotal.
A presença dos testículos fora do local adequado não gera dor imediata ao bebê. O diagnóstico costuma acontecer logo nas primeiras avaliações físicas pelo pediatra, por meio do toque cuidadoso da região. Exames complementares de imagem, como a ultrassonografia, podem auxiliar na localização precisa dos órgãos retidos.
Orquidopexia bilateral
A orquidopexia bilateral é o nome técnico dado à intervenção cirúrgica reparadora. O sufixo médico "pexia" refere-se à fixação cirúrgica de um órgão. O objetivo central consiste em localizar, mobilizar e fixar de forma permanente os dois testículos no fundo do escroto.
O cirurgião realiza pequenas incisões na virilha e no escroto para soltar as estruturas de tecidos que possam estar prendendo o cordão espermático. Em seguida, os testículos são reposicionados e ancorados na bolsa testicular. Essa fixação impede que eles subam novamente em direção ao abdômen.
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Por que a cirurgia é necessária?
A bolsa escrotal desempenha um papel térmico protetor. Ela mantém os testículos em uma temperatura cerca de dois a três graus celsius abaixo do restante do corpo. Esse ambiente térmico mais ameno é indispensável para o desenvolvimento equilibrado das células que produzem os espermatozoides.
Manter os órgãos no abdômen ou na virilha submete os tecidos a um calor constante e nocivo. A permanência dos testículos retidos eleva a temperatura interna dos tecidos e causa degeneração precoce das células reprodutivas. Por isso, a fertilidade futura é prejudicada.
De acordo com a SBP, a infertilidade é observada em até 75% dos casos bilaterais. A orquidopexia não se resume a uma correção visual ou anatômica. Trata-se de uma intervenção para deter o processo degenerativo nos tecidos testiculares.
É importante dizer que embora ela seja necessária, o tratamento nem sempre é cirúrgico. Ele pode ser medicamentoso a depender da causa.
Riscos de não tratar a condição
Além da esterilidade, que é uma das principais repercussões da criptorquidia bilateral, outro problema expressivo é o risco oncológico. 10% dos cânceres de testículo estão associados aos distúrbio, diz a SPB. Os riscos são de 5 a 20 vezes maiores.
Crianças com testículos não descidos também apresentam maior propensão a torções testiculares e a hérnias inguinais, deixa claro a American Urological Association.
Qual a idade ideal para realizar a cirurgia?
A Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que os consensos em pediatria recomendam que a correção cirúrgica seja efetuada entre os 6 e os 12 meses de vida. Nos primeiros meses após o parto, flutuações hormonais fisiológicas ainda podem fazer com que os testículos desçam por conta própria.
As chances de resolução espontânea sem o devido tratamento cai de 3,4% para 0,8% aos 12 meses de vida. Por isso a SBP diz que a consulta médica com 1 ano é imprescindível caso os testículos ainda não estejam no saco escrotal. Postergar o procedimento para além dos dois anos eleva os danos definitivos às células produtoras de espermatozoides e acentua o risco oncológico.
Como é a recuperação da criança?
O período pós-operatório costuma transcorrer com tranquilidade. O bebê pode apresentar edema leve e vermelhidão passageira nos cortes da virilha e da bolsa escrotal. O pediatra prescreve analgésicos pediátricos comuns para proporcionar alívio de qualquer incômodo nas primeiras 48 horas.
Alguns cuidados diários auxiliam na cicatrização. Os responsáveis devem manter a troca frequente de fraldas para deixar a pele sempre limpa e seca. Recomenda-se evitar brincadeiras de impacto, brinquedos de montar como triciclos ou balanços e cavalinhos por um intervalo de duas a três semanas.
Qual especialista procurar?
O acompanhamento tem início na consulta de rotina com o pediatra geral. Se a bolsa escrotal continuar vazia, o menino deve ser encaminhado para um cirurgião pediátrico ou urologista pediátrico. Esses médicos possuem treinamento específico para avaliar a posição anatômica e operar crianças com segurança.
Atenção regular durante as trocas de fralda e no banho ajuda a notar a ausência dos testículos no escroto. Ao notar qualquer assimetria ou a bolsa vazia, consulte o especialista para planejar a avaliação dentro da faixa etária indicada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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